'Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...'
Guerra Junqueiro escrito em 1886
21 julho 2008
Há coisas que nunca mudam
18 julho 2008
E assim se fazem as mantas de retalhos com trapos quase rotos
nacionais, os resultados das avaliações externas das escolas não são tornados públicos, não há rankings de escolas e um em cada três alunos recebe aulas de apoio.
Na Finlândia, os professores são muito bem pagos, a profissão é socialmente muito valorizada, não existe um sistema formal de avaliação de desempenho dos professores, não existe um Ministério da Educação com poderes curriculares e pedagógicos sobre as escolas, o currículo nacional é mínimo, a autonomia das escolas é grande, os planos de estudos incluem menos disciplinas do que em Portugal, o número de aulas por semana é menor e as aulas têm 45 minutos. Como se vê, é tudo ao contrário de Portugal.
Quem é que Portugal tem copiado?
Na avaliação dos professores, Portugal copiou o Chile.
Na centralização curricular e pedagógica, inspirou-se na França.
Na avaliação externa das escolas, foi buscar o modelo britânico.
Ou seja, Portugal tem vindo a copiar os países com piores resultados escolares.
(Recebido por e-mail)
02 julho 2008
CEF's e desabafos

Parece que há uma nova moda que se vem instalando no ensino. Moda, não porque os professores queiram, mas porque alguém que detém o poder assim o quer. Quer, pode e manda... E ao fim de algum tempo já todas as escolas "usam", que segundo a estatística, já se designa por moda. Estou a falar dos CEFs, os Cursos de Educação e Formação. Só me dá vontade de rir. Cursos de Educação e Formação??? Gostava de saber onde está a Educação e a Formação. Fui uma das muitas "privilegiadas" com uma destas turmas e só posso dizer que nunca me tinha acontecido nada igual em toda a minha carreira, que não é longa mas é alguma coisa.
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De facto não se consegue fazer nada com tais elementos, nem trabalho nem outra coisa qualquer e muito menos dar àquela "gente" [as aspas são propositadas, já que não me quero incluir no mesmo grupo daquelas coisas] regras de educação e de civismo. Mas eu cá teria uns métodos infalíveis para resolver estes tais problemas de educação. E não recorreria à tortura. Acho que é o mínimo que podemos exigir dentro duma sociedade. Se faltarem as normas de boa educação, creio que não podemos esperar mais nada destes futuros homens (até me dá arrepios de pensar que o futuro vai ser governado por eles). E isto não é exagero não, porque CEFs, PIEFs e outros que tais há por aí aos magotes. Nascem de ano para ano que nem cogumelos, com perspectivas de proliferação intensa, sem precisar de adubo. Basta uma leizita, ou um ofício onde nas entrelinhas está tudo dito.
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O mal não é surgirem as aberrações destes "cursos" por aí fora, o problema é a forma como as coisas são feitas. Os meninos NÃO reprovam quer tirem maus resultados, quer faltem o ano todo (literalmente). Os meninos NÃO são castigados por maltratarem professores, funcionários ou colegas (literalmente). Os professores NÃO podem dar a nota de 1 a quem faltou o ano todo a quem não fez nada que não fosse portar-se mal (muito mal mesmo). Mas anda-se um ano, ou dois, a enganá-los, sim, a dizer-lhes que lhes acontece isto ou aquilo se faltarem ou se não fizerem os deveres ou se se portarem mal. Mas estamos a enganar quem? Até eles já se aperceberam da realidade...
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Estava eu a falar com uma amiga, que também lhe calhou tal sorte na rifa, e estávamos a desabafar a nossa situação. Dizia ela que conseguiram expulsar 3. E eu, muito admirada, quis saber como tal aconteceu, porque no meu caso não deixaram (literalmente) que isso acontecesse. Mas entretanto ela diz que "foi preciso muita coisa para que isso acontecesse". Chegou ao cúmulo de um deles se andar a despir e de ter ameaçado de morte um funcionário. Claro que a burocracia necessária para tal nem vale a pena citar.
Quanto a mim posso dizer que só me faltaram ofensas físicas e ameaças de morte.
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Moral da história... acho que não vale a pena dizer o que toda a gente já sabe. Ou será que nem toda a gente sabe? Quem não está por dentro do meio é provável que não saiba. Eu cá sei muito bem, mas prefiro nem pensar porque me assusto...
Tamanho dos planetas
26 junho 2008
Visconde de Sabugosa
cro. Interpretou a personagem Visconde de Sabugosa, na primeira versão do "Sítio do Picapau Amarelo". A série fez parte da infância de muita gente e criou um mundo de histórias e fantasia no imaginário de muitas crianças. Eu fui uma dessas crianças e recordo-me com saudade da série, pois adorava aquelas histórias, aquelas personagens, que me faziam sonhar verdadeiramente. Era tão criança que muitas vezes não sabia onde era a separação entre a realidade e a ficção. A inocência das crianças... Gostei tanto da minha infância, sonhei tanto, imaginei tanto, brinquei tanto, que hoje me faz uma certa (grande) confusão ver crianças com "comportamentos" de adultos. Causa-me tristeza ver que as crianças hoje em vez de gostarem de ver desenhos animados se maquilham para sair à noite...
Enfim, eu cá gostei de ser criança até muito tarde. Tão tarde que, a certa altura, escondia das minhas amigas que via desenhos animados. Porque já eramos adolescentes e elas já se começavam a interessar por outras coisas. Eu, continuava a querer ver estes programas de tv, a brincar à apanhada e a fazer desenhos...
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É bom recordar a série, gostei de todas as personagens...
20 junho 2008
Geração Y
Parece que já há quem chame de "Geração Y"
11 junho 2008
Um pouco de mim

"Os outros vêem-na como alguém sensato, cauteloso, cuidadoso, prático, inteligente, dotado ou talentoso, mas modesto. Não é uma pessoa que faça amigos muito facilmente, mas é extremamente leal quando os tem e espera o mesmo em troca. Aqueles que têm a chance de a conhecer melhor perceberão que é preciso muito para abalar a confiança que tem nos seus amigos mas consciencializarão também que, se quebrarem a confiança que depositou, vai ser necessário muito tempo para que a possam ganhar novamente."
10 junho 2008
Triste com o mundo...
23 fevereiro 2008
Momento literário II
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia
18 fevereiro 2008
Momento literário I
Gozo e dor
Se estou contente, querida,
Com esta imensa ternura
De que me enche o teu amor?
Não. Ai não; falta-me a vida;
Sucumbe-me a alma à ventura:
O excesso de gozo é dor.
Dói-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.
É que não há ser bastante
Para este gozar sem fim
Que me inunda o coração.
Tremo dele, e delirante
Sinto que se exaure em mim
Ou a vida ou a razão.
Almeida Garrett
14 fevereiro 2008
Dia de São Valentim!
orados. Claro que, seja qual for a origem, nada deve ter a ver com o comércio e marketing desmedido que hoje ronda a data. Somos todos diferentes (e ainda bem) mas pessoalmente acho muito mais bonito e romântico algo que se faz com sentimento do que comprar o peluche maior (muito caro), ou o maior ramo de flores (consequentemente mais caro), ou a maior moldura em forma de coração com a respectiva foto lá inserida, ou... Ou tanta coisa! Eu cá prefiro uma carta escrita com umas frases bonitas e sentimentais (e que sejam verdadeiras, claro), um postal feito pela pessoa que a gente gosta, uns lembretes colocados em locais estratégicos, uma flor do campo que se apanhou para a pessoa em que a gente pensa, uma tarde em perfeito relax à beira-mar e ver o pôr-do-sol, enfim... são estas as coisas que prefiro! É certo que tudo isto se pode fazer o ano inteiro, mas comprar peluches, molduras, almofadas em forma de coração e grandes ramos de flores também. De qualquer maneira, continuo a preferir as pequenas coisas com grande significado. Faz-me uma certa confusão ver os adolescentes, com o(a) primeiro(a) namorado(a) e "exigirem" aos pais uns, 20, 30 ou 40 euros para comprar a prenda do Dia de São Valentim. Realmente sou doutra geração e devo estar a ficar cota ou outra coisa parecida, mas não compreendo a prontidão com que estes pais dão o tal dinheiro "exigido". Afinal hoje em dia romantismo é dar uma prenda (cara) e nesse aspecto não sou moderna, sou muito antiquada... E gosto de o ser... Origem deste dia:

"Diz-se que o imperador Cláudio pretendia reunir um grande exército para expandir o império romano.
Para isso, queria que os homens se alistassem como voluntários, mas a verdade é que eles estavam fartos de guerras e tinham de pensar nas famílias que deixavam para trás...
Se eles morressem em combate, quem é que as sustentaria?
Cláudio ficou furioso e considerou isto uma traição. Então teve uma ideia: se os homens não fossem casados, nada os impediria de ir para a guerra. Assim, decidiu que não seriam consentidos mais casamentos.
Os jovens acharam que essa era uma lei injusta e cruel. Por seu turno, o sacerdote Valentim, que discordava completamente da lei de Cláudio, decidiu realizar casamentos às escondidas.
A cerimónia era um acto perigoso, pois enquanto os noivos se casavam numa sala mal iluminada, tinham que ficar à escuta para tentar perceber se haveria soldados por perto.
Uma noite, durante um desses casamentos secretos, ouviram-se passos. O par que no momento estava a casar conseguiu escapar, mas o sacerdote Valentim foi capturado. Foi para a prisão à espera que chegasse o dia da sua execução.
Durante o seu cativeiro, jovens passavam pelas janelas da sua prisão e atiravam flores e mensagens onde diziam acreditar também no poder do amor.
Entre os jovens que o admiravam, encontrava-se a filha do seu carcereiro. O pai dela consentiu que ela o visitasse na sua cela e aí ficavam horas e horas a conversar.
No dia da sua execução, Valentim deixou uma mensagem à sua amiga (por quem dizem que se apaixonou), agradecendo a sua amizade e lealdade. Ao que parece, essa mensagem foi o início do costume de trocar mensagens de amor no dia de S. Valentim, celebrado no dia da sua morte, a 14 de Fevereiro do ano de 269."
(Retirado da net.)
05 janeiro 2008
Luto!!!

Há dias um amigo muito especial deu-me um recente texto dele para eu ler. Li, reflecti e adorei. Com a sua autorização aqui fica o texto:
"Hoje perguntaram-me se estava de luto, eu disse, claro!, afinal estava de preto e que mais poderia ser, de luto sim, luto pelo envenenamento da inteligência nos seres humanos "civilizados", diga-se por outras palavras os imbecis sociais que vandalizam e agridem diariamente o mundinho onde habito, e pensando bem, são praticamente todos, e aquele era-o de certeza...
A juventude está mais inteligente do que nunca, culta, bem informada e eximiamente educada. Dá gosto de ver, de ler, até de ouvir. São pequenos poetas, filósofos, entusiastas e amadores de culturas vastas e diversas. Que de vez em quando, e porque errar é humano e ainda vai estando nos genes até que o tirem, há sempre aqueles menos potenciais, coitados, excluidos que insistem em ler literatura reles e fraca como Edgar A.Poe, não, esses não conseguem compreender a profundidade de Dan Brown ou similares autores de renome cultural. Coitados, ficam-se por Kafka ou Goethe, nao conseguem atingir a capacidade de compreensão necessária para ir ao futebol gritar histericamente ou submeter-se à intensidade intelectual dos discursos da política nacional sem soltarem um comentário triste de crítica infundada. coitados, pouco interessam, não são ninguém, as suas sinapses mentais resultam sempre atrofiadas de ouvirem tantos violinos e violoncelos pois não se sentem estimuladas pela boa sonoridade melodiosa das catederais da música da noite.
E assim é, esta juventude, a que interessa, a culta, serão os grandes de amanhã, governadores, cientistas, professores, políticos, historiadores mas principalmente Doutores, em toda a sua excelência.
Cada vez mais o estatuto humano se degrada numa eloquência merdosa a que se chama evolução, evolui sim, mas para o fundo da sanita onde não tarda a haver novamente um dilúvio, ao qual espero que desta vez não esteja lá nenhum imbecil para salvar os grandes exemplos da humanidade."
05 dezembro 2007
Salvador de quê???

Realmente já nem sei o que pensar da humanidade. Às vezes penso que ou está tudo louco e só eu tenho sanidade, ou está tudo são e eu é que sou louca ou então está tudo louco, sem excepção. É sabido que dos lados das Américas (norte ou sul) nos aparecem umas situações para as quais ficamos a olhar de boca aberta. Mas, francamente, uma coisa destas? Será que alguém "cai" nesta? Certamente que sim, já acredito em tudo...
"Fenómenos" destes devem-se a quê? Certamente a crise (generalizada por todo o mundo) é tão grande que cada um se tenta "desenrascar" como pode...
04 dezembro 2007
Mais do mesmo...

Confesso que ando extremamente cansada de certas coisas. Continuamos com aquele estigma de que os professores não fazem nada. Mas será que não há ninguém que perceba??? Ora são os miudos ("O prof é que tem vida 'porreira'... Não faz nada..."), ora são os outros (tudo o resto, doutores, engenheiros, enfim,...).
Estou farta de levar na cabeça, de ser maltratada, de não ser respeitada, de ser bode expiatório dos males do mundo! Os professores não podem responder, à letra, aos maus tratos porque serão sempre os acusados. Se o aluno o fez é porque provocou. Santa paciência!
E depois ainda ouvimos destas: "O que é que vocês fazem nos tempos mortos?" (pergunta do engenheiro). Resposta em coro das profs-que-não-fazem-nada: "Quais tempos mortos?!?!?!" Cada vez oiço mais colegas a dizer: "Estou farto disto! Se houvesse alternativa mudava de profissão!", ou então: "Estou farto disto! Só estou à espera de fazer uns ajustes e mudo logo de profissão!" Eu penso o mesmo, só não mudo porque não encontro alternativa. Mas lamento, lamento imenso...
Em menina eu dizia "adorava ser professora!"... Consegui... Mas hoje digo "odeio ser professora!"
03 dezembro 2007
Deixem os professores em paz!!!

Finalmente de volta. Tenho andado por aqui e por ali, mais trabalho menos trabalho, mais cansaço menos cansaço... enfim, o costume.
Este "estaminé" tem ficado ao abandono por variadas razões. Entre trabalhos, avaria de computador, preguiça e outras coisas, o tempo lá vai passando e nem nos vamos apercebendo. Confesso que tenho tido alguns assuntos que acho que devam ser partilhados, mas devido às razões já apresentadas têm ficado de lado.
Por agora quero partilhar aqui um texto deixado no "Público" a 1 de Novembro, pela Maria Filomena Mónica. De facto, já vou um bocado atrasada e para quem também se atrasou, como eu, aqui fica o link da crónica, já que considero obrigatório ler.



