31 março 2011

Ser e parecer...



Na escola onde me encontro há uma "regra". Nas disciplinas em que frequentemente se faz teste de avaliação a "regra" é: sair sempre a matéria toda, desde o início do ano. Desde que aqui cheguei (é o segundo ano neste local de ensino) que fui informada desta norma, aprovada em Conselho Pedagógico (creio). A justificação para tal era que aumentássemos a exigência para com os alunos, uma vez que nos estamos sempre a queixar de que eles não aprendem nada, não estudam, não conseguem raciocinar sozinhos, etc etc etc. Confesso que concordo com esta ordem de ideias, pois, de facto, os actuais pupilos estão habituados a ter a "papinha toda feita" e não se esforçam minimamente para obter boas notas. Para além de testes globalizantes, também, em alguns grupos disciplinares, se optou por formular outro tipo de questões, que não fossem tão directas, que apelassem um pouco ao raciocínio e não ao "despejar" de conceitos após o "marranço" de véspera.


Pois bem, eu cumpro. Tal como eu, há muitos colegas a cumprir. Mas sei que há colegas que não o fazem. Há vários colegas a leccionar uma determinada disciplina no mesmo ano lectivo. Mas há uns que fazem testes globalizantes (como é um princípio da escola), fazem algumas questões que invocam o raciocínio e há outros que fazem testes muito mais pequenos, só com a última matéria e com questões muito simples. (Eu já nem quero falar no trabalho acrescido que se tem em fazer certo tipo de testes.)


Claro, que já se vislumbram as conclusões / ilações: 
- Os meninos com testes globalizantes tiram piores notas que os outros. 
- Será justo uns terem melhores notas finais de período do que os outros?
- É a partir disto que uns vão para o quadro de mérito e outros não?
- Estes professores que irão dar melhores notas são melhores profissionais do que os outros?


Chateia-me que estes professores não cumpridores, das normas implementadas pela escola, estejam muito bem "cotados" e os outros ainda são vistos como maus professores (???).


Quer dizer, dá-me uma trabalheira fazer testes com toda a matéria e ainda arranjar questões que apelem ao raciocínio e depois, quem fica "bem visto" são os outros.


Apetece-me mandar tudo para um certo sítio!!! 


 Estamos na Era do "parecer" e não do "ser"...

30 março 2011

Concordo


Abriste, fecha.
Acendeste, apaga.
Ligaste, desliga.
Desarrumaste, arruma.
Sujaste, limpa.
Quebraste, conserta.
Pediste emprestado, devolve.
Prometeste, cumpre.
É de graça, não desperdices.
Não sabes usar, chama quem sabe.
Para usar o que não te pertence, pede licença.
Não sabes como funciona, não mexas.
Não sabes fazer melhor, não critiques.
Não te diz respeito, não te intrometas.
Não vieste ajudar, não atrapalhes.
Ofendeste, pede desculpas.
Falaste, assume.

Seguindo este processo, a tua vida e a das outras pessoas será melhor.


Li isto algures na net. E não é que concordo? Bem, creio que há excepções, mas tirando isso concordo com a "regra".



22 março 2011

Sorrisos

Por falar em sorrisos...


Por vezes andamos tão absorvidos nos problemas e nas chatices da vida, que nos esquecemos dos sorrisos. Os nossos sorrisos, gerados por outros, por situações que surjam ou por momentos especiais. E os sorrisos dos outros pelos quais somos responsáveis. 


Estou a lembrar-me de uns sorrisos muito especiais, meus e dos outros, mas os meus são tão especiais! Há umas criaturinhas fantásticas que têm o dom de me deixar com GRANDES sorrisos. Amo aquelas criaturinhas, se pudesse adoptava-as...

Reflexões

Há fases em que não temos nada para fazer, bem, eu já nem me lembro de quando foi essa minha última fase. E há as outras. Desde há uns tempos que estou sempre nas outras fases, ou seja, tanta coisa que não sei para onde me virar. No trabalho dá-me a sensação que quanto mais faço mais me aparece. Nunca consigo terminar uma tarefa e dizer "Pronto! Acabei!". Não, se acabo uma tarefa ou se vou a meio aparece sempre mais outra e outra e outra... Pois, creio que é o que se passa com a maior parte das pessoas desta profissão. Sim, maior parte, porque há sempre os outros, aqueles que não percebem que eu disse nas frases anteriores.


Depois, para agravar a "coisa" ainda aparecem as chatices pessoais.  Há as decisões que tomamos na vida pessoal, as questões de saúde (tão fáceis de surgirem nestes momentos) e que nos sugam ainda mais tempo  e energia. Neste momento, sinto-me como se algo me tivesse sugado toda a minha energia e eu tivesse ficado sem forças para nada. Logo agora, que é crucial ter muito discernimento e força. 


Depois ainda, quem está à nossa volta, quem nos é mais próximo e querido (principalmente família e amigos) é quem "apanha" com os nossos maus humores, cansaços e fraquezas. Que caricato, é em quem não gostamos que deveríamos depositar o nosso azedume e amargura. Se calhar é porque nunca estão suficiente próximos, se calhar é porque as pessoas importantes é que estão ao nosso lado e, por isso, por vezes acabamos por ser injustos...


E quando a pessoa de quem gostamos muito está a precisar muito de nós e nós não conseguimos ter força para a ajudar, socorrer ou amparar? É como um grito mudo, é como nos pesadelos em que queremos muito gritar mas não conseguimos... É sentirmo-nos completamente inúteis...


Neste momento só anseio por um pedacinho de paz...

07 março 2011

Coisas que adoro (II)

Uma das coisas que adoro são flores. Gosto das flores em geral, flores de campo e flores de jardim, mas há algumas de que amo mesmo muito. Uma dessas que ADORO são os narcisos, ou junquilhos, como aprendi a chamar-lhes. Não sei o porquê, só sei que gosto da flor (tão bonita!!!) e do aroma (tão bom!!!).


Adoro narcisos...

06 março 2011

Alegria

Como dá para perceber nestes últimos tempos tenho andado numa correria, num cansaço e numa grande tristeza relativamente à minha profissão. Para além dos problemas pessoais que também vão surgindo pelo meio.


Mas na sexta-feira aconteceu uma coisa maravilhosa, uma coisa fantástica, uma coisa que me encheu o ego e, atrevo-me mesmo a dizer, uma coisa que me deu anos de vida. E quem foi a responsável? Uma criaturinha maravilhosa. Uma pessoa fantástica! Uma menina que foi minha aluna no ano passado e que este ano conversamos, de vez em quando nos corredores. Adoro aquela menina (creio, aliás, agora tenho a certeza de que também gosta muito de mim). Mas como todos nós sabemos, aquela menina, que é um ser humano fantástico em tudo, só é assim porque tem a mãe que tem. Uma mãe maravilhosa, que acompanha a filha, que lhe dá amor, carinho, que a orienta, que a ajuda nas tarefas escolares e não só e que também diz não quando é necessário. 


Que mãe e filha maravilhosas! E na sexta-feira o meu coração ficou a pular de alegria e o meu ego encheu-se... Adoro-as!  :D

04 março 2011

Onde a profissão nos leva...

Como as coisas mudaram desde há uns tempos!


A escola já não é mesmo nada do que era. A minha actual escola é a loucura total. Uma escola onde impera a loucura insana, a competição desgrenhada, a correria desconcertada e desalinhada para ser reconhecida e ter um bom lugar no ranking. E quem acarreta com toda esta sobrecarga? Não creio que seja necessário dizê-lo.


Tenho alguns anos de serviço, muitos comparados com alguns colegas, poucos comparados com outros, mas há um facto que nunca vi em escola nenhuma nem ouvi falar que noutra existisse. Este ano lectivo tem sido uma "correria" com atestados médicos. Desde há uns meses que há imensa gente a ficar doente. Creio, até, que neste segundo período nunca houve um dia em que não houvesse alguém a faltar, efectivamente doente. Razões várias, por enfermidades típicas da época, por cansaço (inclusive eu, pela primeira vez desde que trabalho), por agravamento de sequelas que já existiam, enfim, um grande número de pessoas doentes. Outras, "simplesmente" cansadas, mas não um cansaço normal devido ao acumular de trabalho em determinada época. Um cansaço, diria mesmo, patológico. Não há quem aguente. Todos os dias há reuniões disto, reuniões daquilo, formações creditadas, formações não creditadas, preparar isto, preparar aquilo. Nunca ninguém chega a casa antes da hora de jantar, às vezes até passa bastante desse horário. Bem, na verdade há uma ou outra espécime que não se enquadra dentro do grupo dos "trabalhadores", encaixam melhor no dos "parasitas". Ah, mas entretanto leva-se trabalhinho para casa.


Ora, toda a gente sabe que alimentar-se mal, dormir pouco e mal, andar numa correria desenfreada para ter tudo preenchidinho, tudo organizado, tudo pronto a tempo e horas causa imenso stress, cansaço, fraqueza e as pessoas ficam debilitadas. O que vem a seguir? Claro está, as doenças... 


Mas o mais triste, o mais triste de tudo é que acabámos de perder uma colega (muito nova) que não era só colega, era uma grande colega, uma grande pessoa, uma grande mulher, uma grande profissional e que desvalorizou e se desleixou com o seu problema de saúde em prol da sua grande competência profissional. Foi à morte que o seu incontestável profissionalismo a levou. Não é por ter falecido que passou a ser boa pessoa, como tantas vezes acontece, ela era mesmo! Ficámos muito mais pobres com esta perda, tanto a nível pessoal como profissional, mas isso para as estatísticas também não interessa nada...



02 março 2011

Pequeno poema para alguém enorme

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...



Sebastião da Gama



01 março 2011

Irritação

Já aqui falei do quanto me irrita e do quanto é indelicado deixarem os telemóveis com som, onde tocam tocam e, obviamente, chateiam os outros ao redor. Mas o local onde mais me irrita ouvir um telemóvel é num funeral! Haja paciência! Haja respeito! E não me interessa que seja a velhinha "inocente" a ter o telemóvel a tocar com o seu volume no máximo, com a música mais irritante e preciosamente escolhida por ter o som mais alto, já que a velhinha tem problemas de audição. Se não sabe pôr o objecto no modo de silêncio que aprenda, se não o sabe desligar que aprenda ou que o deixe em casa. Mas não o deixe tocar, principalmente enquanto está o padre a fazer a última homenagem a uma pessoa que acabou de deixar este mundo. 


Fico sempre arreliada com esta situação, mas ontem fiquei muito mais porque estava no funeral de uma colega. Uma colega muito querida, muito delicada, uma grande mulher, que partiu inesperada e estupidamente e que merecia respeito no momento em que muita gente estava junta para lhe prestar a última homenagem.


Haja um bocadinho de respeito pelos outros...



24 fevereiro 2011

A escola (parece título de composição de criancinha)

Desde que entrei para a escola (antes dizia-se que se ia para a escola primária, hoje é mais pomposo, diz-se 1º ciclo e brevemente mudará de novo) que adorei. Sempre adorei a escola. Desde o primeiro dia. Para mim era até um escape, era onde me encontrava com os "amigos" (vivia sozinha com os meus avós) era aí onde encontrava muita gente para brincar. Para além disso adorava aprender. Desde essa idade que detestava as férias. Desde essa idade que a profissão que queria ter era ser professora (não tinha nenhuma noção da tamanha estupidez que era esse sonho). Os anos foram passando, tornei-me adolescente e desejei ter muitas profissões (não ao mesmo tempo, claro, as minhas profissões de sonho é que iam mudando). Queria ser bióloga, hospedeira de ar, arquitecta, nutricionista, estilista,... enfim, e mais umas quantas que me apaixonavam. 

A adolescência é a época de paixões.Não só por pessoas, mas por lugares, objectos, ídolos, amores platónicos,... Enfim, um turbilhão de emoções. É um período de tempo complicado, mas é quando "aprendemos" a seleccionar as nossas coisas, os nossos gostos, os nossos estilos, tudo aquilo que nos irá marcar para a vida ou pelo menos gostaríamos que assim fosse. Mas para isso é preciso ter uma certa "liberdade". 

Lembro-me dos tempos da escola secundária. Gostei tanto. Foi um sofrimento quando "fui obrigada" a sair. Achava que tinha encontrado os amigos para a vida. Mal sabia que os melhores tempos estariam aí à porta. Os da Universidade. Afinal a maior parte dos "melhores amigos" do "liceu" seguiram o seu caminho e eu segui o meu. Os meus grandes amigos são os da Universidade e os que fui encontrando nos vários locais de trabalho. Aprendi tanta coisa ao longo de todos os meus anos de estudo. Mas o que mais aprendi e o mais importante não foram os professores que me ensinaram, não foram as matérias que leccionaram. Foi o que eu aprendi sozinha, acompanhada, mas fora das aulas.

Então para quê massacrar (sim, massacrar) alunos e professores com aulas de substituição? Eu acho que sei a resposta... O que é que os alunos aprendem quando têm de aturar um professor desconhecido (ou não)? 
É útil estar a realizar mais uma ficha de exercícios "à pressão"?
É útil ler mais um texto e fazer o respectivo resumo?
É útil começar a ver um filme (pela enésima vez)? (os miúdos já não podem ver os filmes à frente devido a tanta aula de substituição)

Ou será mais útil os miúdos irem brincar quando têm "furo", ou até, alguns que eu já vi, por iniciativa própria, estarem a estudar para outra disciplina porque querem fazê-lo mas sem serem obrigados?

Já no ponto de vista do professor nem vou comentar...

20 fevereiro 2011

Como...

...é que se multiplica o tempo?

...é que se desaparece de um sítio num segundo?

...é que passamos de novo para a infância?


Gostava que alguém me soubesse responder...

17 fevereiro 2011

Apeteceu-me ouvir...

Coisas boas

Claro que nem sempre tudo na vida é mau. Este blog tem acabado por ser um desfiar de coisas más, mas, claro, que serve de desabafos e, de certa maneira, também o uso para me purgar. Sempre serve para ficar mais leve... ou não... Sei lá...

Não tem sido novidade o quanto tenho detestado, odiado, abominado e mais outras coisas terminadas em "ado" a minha profissão, nos últimos anos. Mas, há uma coisa que este ano estou a adorar e me está a dar uma grande satisfação (coisa que em anos anteriores também eram razão para me aborrecer). É pena é que essa parte satisfatória seja tão pequena...

E estou a adorar algumas turmas que tenho. Quer dizer, gosto de todas em geral, mas há algumas criaturinhas que me dão uma satisfação enorme em trabalhar com elas. Tenho apenas uma turma do ano anterior, que era terrível, que me punham os cabelos em pé, uma turma de quem eu não gostava nada e não gostavam nada de mim. Este ano sairam alguns elementos (fulcrais para o mau comportamento) e entraram outros. Adoro estar com aqueles miudos e tenho imenso carinho por eles. Apesar de ainda existirem algumas criaturas que não são "pêra doce", tenho conseguido "dar-lhes a volta" e ter aulas divertidas e em harmonia. As aulas passam super rápido para mim e para eles, apetece-me prolongar mais a aula (e parece que a eles também, pelo menos às vezes).

Há outra turma, uma novidade, uma grande novidade, porque são do 5º ano e eu sou do 3º ciclo e secundário. Foi-me imposta por ordens superiores (pela gerência daqui do tasco), por razões que nem me quero lembrar. Mas também tive sorte com as criaturinhas e estou a adorar algumas experiências neste nível de ensino. Para quem veio do secundário não imaginava certas coisas deste nível de ensino. Mas são tão fofos (alguns, claro) que só me apetece adoptá-los.

Dá-me imensa satisfação preparar aulas, dar aulas e estar com certos meninos... Só é pena é que isso seja cerca de 1% das minhas tarefas... Bem, vou ter de aproveitar ao máximo estes bocadinhos muito bons...     :)