17 maio 2011

Porque a Florbela Espanca sabe tanto acerca de mim...

Sem Remédio
Aqueles que me têm muito amor 
Não sabem o que sinto e o que sou ... 
Não sabem que passou, um dia, a Dor 
À minha porta e, nesse dia, entrou. 

E é desde então que eu sinto este pavor, 
Este frio que anda em mim, e que gelou 
O que de bom me deu Nosso Senhor! 
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! 

Sinto os passos da Dor, essa cadência 
Que é já tortura infinda, que é demência! 
Que é já vontade doida de gritar! 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, 
A mesma angústia funda, sem remédio, 
Andando atrás de mim, sem me largar! 

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

20 abril 2011

Vira o disco e toca o mesmo

Conversa de circunstância:


Mulher: Então estás de férias?
Eu: Não, por acaso até tenho coisas para fazer nesta interrupção lectiva. Organização de várias actividades, organização de documentos e mais umas coisitas que ficaram "penduradas".


Mulher: Pois, todas [todas = outras professoras] dizem a mesma coisa, mas as outras [outras = as que não são professoras] continuam a dizer que os professores não fazem nada, ganham bem e têm muitas férias. Eu cá acho que os professores têm uma vida difícil, não é nada fácil tudo o que têm hoje em dia.


Confesso que estou um bocado farta desta ideia que se tem desta classe. É certo que há uns quantos que dão mau nome à classe, bastantes, até. E por mim eram colocados em praça pública onde se daria a conhecer a toda a gente a vergonha que são para o ensino. Mas, caramba, sempre a mesma história? Isto é mas é uma grande inveja. E por mim colocava esta tal gentinha só com um mês com certas turmas e com todo o trabalho que se tem hoje em dia fora das aulas. Gostava de ver e apreciar num lugar de destaque.

15 abril 2011

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma


Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.

Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.

Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?


                    Fernando Pessoa

11 abril 2011

Perguntas e respostas...

P1- Como se chama a alguém que vê um conjunto de papéis oficiais e confidenciais, numa mesa de sala de professores, pega neles, lê (mesmo depois de ser informado a quem pertencem os documentos) e no fim ainda opina sobre o assunto?


R1- ...




P2- Como se chama a alguém que, numa reunião de avaliação, quando a Directora de Turma pede aos professores que entreguem os relatórios de Estudo Acompanhado (dado por professores diferentes em aulas diferentes) e esse alguém responde de imediato que já fez em conjunto com a colega, quando a colega responde: "eu já fiz o meu, é diferente do teu, tens de fazer tu"?


R2- ...




P3- Como se chama a alguém que foi convidado para uma festa, responde que vai e na véspera comenta com alguém que não põe os pés no dito sítio porque aquilo deve ser uma porcaria e cheio de gentinha desinteressante? (Suponho que nem sequer avisou que não ia.)


R3- ...




Podia continuar a fazer uma lista enorme de perguntas mas vou ficar por aqui... Não me apetece ficar mais enojada! 
Não gosto do ser humano em geral, mas há pessoas que adoro. Em contrapartida tenho vergonha de conhecer outras.

08 abril 2011

Parece-me bem...



Mas quantas pessoas conseguirão fazer só uma destas coisas?
Já faço algumas (poucas vezes) mas vou experimentar fazer as 4 até ao final deste ano  :)
Pelo menos vou tentar...

Bem, mas também tenho de fazer uma queixinha: há uma delas que não me deixam fazer! 

07 abril 2011

Colonização

Quando começam a colonizar outro planeta? Ainda não é para já, mas estão a tratar disso? É a lua? Não me serve, é demasiado perto. Marte? Também não, ainda é demasiado perto.


Quando for para um planeta de uma galáxia bastante distante e com seres  diferentes (entenda-se: Homem, todos os outros podem existir) destes avisem-me, quero ir no primeiro "autocarro", com bilhete de ida...
...  


Pensando bem, não quero integrar nenhuma dessas colónias... Irão muitos seres humanos (ou "humanos")... Acho melhor comprar uma ilha só para mim... E para mais ninguém! Mais ninguém!





05 abril 2011

Uns podem...

Mas afinal, os critérios de avaliação, que foram aprovados em Conselho Pedagógico, no início do ano lectivo, não são para cumprir até ao final do ano? Bem, se houver necessidade ou motivo para haver alterações o Conselho Pedagógico terá de se pronunciar de novo, seja em que altura do ano lectivo, certo?


Estou um pouco confusa, é que há alguém que decidiu alterar (por iniciativa própria) as percentagens referentes ao 2º período.
 "Ah, e tal... vou dar esta percentagem ao 1º teste, aquela ao segundo e outra ao trabalho..."


Estou mesmo confusa! Mas muda-se assim, sem mais nem menos, sem avisar ninguém, sem dar qualquer satisfação, os critérios de avaliação? Bem, se calhar há algumas pessoas que podem fazer isso... Outras... 



31 março 2011

Ser e parecer...



Na escola onde me encontro há uma "regra". Nas disciplinas em que frequentemente se faz teste de avaliação a "regra" é: sair sempre a matéria toda, desde o início do ano. Desde que aqui cheguei (é o segundo ano neste local de ensino) que fui informada desta norma, aprovada em Conselho Pedagógico (creio). A justificação para tal era que aumentássemos a exigência para com os alunos, uma vez que nos estamos sempre a queixar de que eles não aprendem nada, não estudam, não conseguem raciocinar sozinhos, etc etc etc. Confesso que concordo com esta ordem de ideias, pois, de facto, os actuais pupilos estão habituados a ter a "papinha toda feita" e não se esforçam minimamente para obter boas notas. Para além de testes globalizantes, também, em alguns grupos disciplinares, se optou por formular outro tipo de questões, que não fossem tão directas, que apelassem um pouco ao raciocínio e não ao "despejar" de conceitos após o "marranço" de véspera.


Pois bem, eu cumpro. Tal como eu, há muitos colegas a cumprir. Mas sei que há colegas que não o fazem. Há vários colegas a leccionar uma determinada disciplina no mesmo ano lectivo. Mas há uns que fazem testes globalizantes (como é um princípio da escola), fazem algumas questões que invocam o raciocínio e há outros que fazem testes muito mais pequenos, só com a última matéria e com questões muito simples. (Eu já nem quero falar no trabalho acrescido que se tem em fazer certo tipo de testes.)


Claro, que já se vislumbram as conclusões / ilações: 
- Os meninos com testes globalizantes tiram piores notas que os outros. 
- Será justo uns terem melhores notas finais de período do que os outros?
- É a partir disto que uns vão para o quadro de mérito e outros não?
- Estes professores que irão dar melhores notas são melhores profissionais do que os outros?


Chateia-me que estes professores não cumpridores, das normas implementadas pela escola, estejam muito bem "cotados" e os outros ainda são vistos como maus professores (???).


Quer dizer, dá-me uma trabalheira fazer testes com toda a matéria e ainda arranjar questões que apelem ao raciocínio e depois, quem fica "bem visto" são os outros.


Apetece-me mandar tudo para um certo sítio!!! 


 Estamos na Era do "parecer" e não do "ser"...

30 março 2011

Concordo


Abriste, fecha.
Acendeste, apaga.
Ligaste, desliga.
Desarrumaste, arruma.
Sujaste, limpa.
Quebraste, conserta.
Pediste emprestado, devolve.
Prometeste, cumpre.
É de graça, não desperdices.
Não sabes usar, chama quem sabe.
Para usar o que não te pertence, pede licença.
Não sabes como funciona, não mexas.
Não sabes fazer melhor, não critiques.
Não te diz respeito, não te intrometas.
Não vieste ajudar, não atrapalhes.
Ofendeste, pede desculpas.
Falaste, assume.

Seguindo este processo, a tua vida e a das outras pessoas será melhor.


Li isto algures na net. E não é que concordo? Bem, creio que há excepções, mas tirando isso concordo com a "regra".



22 março 2011

Sorrisos

Por falar em sorrisos...


Por vezes andamos tão absorvidos nos problemas e nas chatices da vida, que nos esquecemos dos sorrisos. Os nossos sorrisos, gerados por outros, por situações que surjam ou por momentos especiais. E os sorrisos dos outros pelos quais somos responsáveis. 


Estou a lembrar-me de uns sorrisos muito especiais, meus e dos outros, mas os meus são tão especiais! Há umas criaturinhas fantásticas que têm o dom de me deixar com GRANDES sorrisos. Amo aquelas criaturinhas, se pudesse adoptava-as...

Reflexões

Há fases em que não temos nada para fazer, bem, eu já nem me lembro de quando foi essa minha última fase. E há as outras. Desde há uns tempos que estou sempre nas outras fases, ou seja, tanta coisa que não sei para onde me virar. No trabalho dá-me a sensação que quanto mais faço mais me aparece. Nunca consigo terminar uma tarefa e dizer "Pronto! Acabei!". Não, se acabo uma tarefa ou se vou a meio aparece sempre mais outra e outra e outra... Pois, creio que é o que se passa com a maior parte das pessoas desta profissão. Sim, maior parte, porque há sempre os outros, aqueles que não percebem que eu disse nas frases anteriores.


Depois, para agravar a "coisa" ainda aparecem as chatices pessoais.  Há as decisões que tomamos na vida pessoal, as questões de saúde (tão fáceis de surgirem nestes momentos) e que nos sugam ainda mais tempo  e energia. Neste momento, sinto-me como se algo me tivesse sugado toda a minha energia e eu tivesse ficado sem forças para nada. Logo agora, que é crucial ter muito discernimento e força. 


Depois ainda, quem está à nossa volta, quem nos é mais próximo e querido (principalmente família e amigos) é quem "apanha" com os nossos maus humores, cansaços e fraquezas. Que caricato, é em quem não gostamos que deveríamos depositar o nosso azedume e amargura. Se calhar é porque nunca estão suficiente próximos, se calhar é porque as pessoas importantes é que estão ao nosso lado e, por isso, por vezes acabamos por ser injustos...


E quando a pessoa de quem gostamos muito está a precisar muito de nós e nós não conseguimos ter força para a ajudar, socorrer ou amparar? É como um grito mudo, é como nos pesadelos em que queremos muito gritar mas não conseguimos... É sentirmo-nos completamente inúteis...


Neste momento só anseio por um pedacinho de paz...

07 março 2011

Coisas que adoro (II)

Uma das coisas que adoro são flores. Gosto das flores em geral, flores de campo e flores de jardim, mas há algumas de que amo mesmo muito. Uma dessas que ADORO são os narcisos, ou junquilhos, como aprendi a chamar-lhes. Não sei o porquê, só sei que gosto da flor (tão bonita!!!) e do aroma (tão bom!!!).


Adoro narcisos...

06 março 2011

Alegria

Como dá para perceber nestes últimos tempos tenho andado numa correria, num cansaço e numa grande tristeza relativamente à minha profissão. Para além dos problemas pessoais que também vão surgindo pelo meio.


Mas na sexta-feira aconteceu uma coisa maravilhosa, uma coisa fantástica, uma coisa que me encheu o ego e, atrevo-me mesmo a dizer, uma coisa que me deu anos de vida. E quem foi a responsável? Uma criaturinha maravilhosa. Uma pessoa fantástica! Uma menina que foi minha aluna no ano passado e que este ano conversamos, de vez em quando nos corredores. Adoro aquela menina (creio, aliás, agora tenho a certeza de que também gosta muito de mim). Mas como todos nós sabemos, aquela menina, que é um ser humano fantástico em tudo, só é assim porque tem a mãe que tem. Uma mãe maravilhosa, que acompanha a filha, que lhe dá amor, carinho, que a orienta, que a ajuda nas tarefas escolares e não só e que também diz não quando é necessário. 


Que mãe e filha maravilhosas! E na sexta-feira o meu coração ficou a pular de alegria e o meu ego encheu-se... Adoro-as!  :D

04 março 2011

Onde a profissão nos leva...

Como as coisas mudaram desde há uns tempos!


A escola já não é mesmo nada do que era. A minha actual escola é a loucura total. Uma escola onde impera a loucura insana, a competição desgrenhada, a correria desconcertada e desalinhada para ser reconhecida e ter um bom lugar no ranking. E quem acarreta com toda esta sobrecarga? Não creio que seja necessário dizê-lo.


Tenho alguns anos de serviço, muitos comparados com alguns colegas, poucos comparados com outros, mas há um facto que nunca vi em escola nenhuma nem ouvi falar que noutra existisse. Este ano lectivo tem sido uma "correria" com atestados médicos. Desde há uns meses que há imensa gente a ficar doente. Creio, até, que neste segundo período nunca houve um dia em que não houvesse alguém a faltar, efectivamente doente. Razões várias, por enfermidades típicas da época, por cansaço (inclusive eu, pela primeira vez desde que trabalho), por agravamento de sequelas que já existiam, enfim, um grande número de pessoas doentes. Outras, "simplesmente" cansadas, mas não um cansaço normal devido ao acumular de trabalho em determinada época. Um cansaço, diria mesmo, patológico. Não há quem aguente. Todos os dias há reuniões disto, reuniões daquilo, formações creditadas, formações não creditadas, preparar isto, preparar aquilo. Nunca ninguém chega a casa antes da hora de jantar, às vezes até passa bastante desse horário. Bem, na verdade há uma ou outra espécime que não se enquadra dentro do grupo dos "trabalhadores", encaixam melhor no dos "parasitas". Ah, mas entretanto leva-se trabalhinho para casa.


Ora, toda a gente sabe que alimentar-se mal, dormir pouco e mal, andar numa correria desenfreada para ter tudo preenchidinho, tudo organizado, tudo pronto a tempo e horas causa imenso stress, cansaço, fraqueza e as pessoas ficam debilitadas. O que vem a seguir? Claro está, as doenças... 


Mas o mais triste, o mais triste de tudo é que acabámos de perder uma colega (muito nova) que não era só colega, era uma grande colega, uma grande pessoa, uma grande mulher, uma grande profissional e que desvalorizou e se desleixou com o seu problema de saúde em prol da sua grande competência profissional. Foi à morte que o seu incontestável profissionalismo a levou. Não é por ter falecido que passou a ser boa pessoa, como tantas vezes acontece, ela era mesmo! Ficámos muito mais pobres com esta perda, tanto a nível pessoal como profissional, mas isso para as estatísticas também não interessa nada...